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O projeto de desigualdade do Governo Estadual

   O Escola Viva é um modelo escolar de tempo integral comprado pelo Governo do Estado do Espírito Santo do Instituto de Corresponsabilidade pela Educação (ICE). Esse modelo na teoria é maravilhoso, contudo, o projeto não analisa os impactos gerados na sociedade capixaba, entre eles, as desigualdades ocasionadas pela segregação do modelo escolar.

   As escolas de tempo parcial do Espírito Santo encontram-se totalmente abandonadas e sucateadas; sobrevivem da resistência e persistência dos estudantes e funcionários da educação. Durante uma audiência pública realizada em 2015 pela Comissão de Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, o deputado estadual Sérgio Majeski apresentou o cenário caótico da educação capixaba por meio de imagens que mostravam a situação das escolas públicas estaduais. Essas imagens evidenciavam o descaso do Governo Estadual e da Secretaria de Educação do Espírito Santo (SEDU-ES) no ensino público capixaba, cenas essas que não mudaram.

   Em contrapartida, as instituições de ensino público que adotaram o modelo de tempo integral possuem no geral uma infraestrutura de qualidade, diferentemente da realidade encontrada na maioria das escolas em que os tetos estão “caindo” sobre os estudantes, e dispõem de materiais didáticos,  enquanto majoritariamente, nas escolas de tempo parcial os professores não podem oferecer uma aula diversificada aos estudantes, devido à ausência de materiais como projetores, laboratórios de informática, química, biologia e física e bibliotecas que funcionem – e na presença destes, totalmente sucateados, os funcionários disputam pelo material. As diferenças existentes entre o modelo de escola em tempo integral e parcial são extremamente perceptíveis e essa divisão aumenta ainda mais o processo de desigualdade educacional e, consequentemente, social – já existente entre instituições de ensino público e privado.

   A segregação ocorre, uma vez que o modelo educacional Escola Viva é totalmente excludente, em virtude de não atender a maioria dos estudantes das escolas públicas do estado que necessitam trabalhar para ajudar na rentabilidade do núcleo familiar. Esse processo de separação entre os estudantes que possuem uma condição mínima para se manterem no modelo educacional e os que necessitam trabalhar ou fazer outra atividade separa e exclui a maior parte do público das instituições de ensino público capixaba. O projeto é vendido pelo governo como a solução para a educação estadual, entretanto, tornar-se-á o maior problema, abrindo espaço para o aumento das desigualdades, intensificação do sucateamento educacional público e privatização do ensino.

 

Quem mais sofre com todo esse processo são, majoritariamente, os estudantes pobres e pretos que não podem permanecer nesse modelo de escola e os funcionários da área educacional que não se curvam diante das ordens do imperador do estado, que não dialoga com a educação. Precisamos resistir!

 

Texto redigido por Hugo Matos, sócio do Grêmio.

© 2017 por Grêmio Maria Penedo

Telefone da escola: (27) 3286-1048

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